domingo, 30 de setembro de 2012

REINVENÇÃO



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Teu Riso





Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Árvore verde


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

VIA LÁCTEA


imagesva


“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso”! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora! “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Olavo Bilacob
b34

pensamento moderno

O amor é quando a gente mora um no outro.

Mario Quintana

C@UROSAimagesros

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Do baú do Carlinhos


O livro, a leitura e as novas mídias

imagestexA leitura entrou em minha vida através dos  “famigerados”  Gibis. As histórias em quadrinhos, foram , por vários anos,  a minha paixão, era leitor compulsivo , cheguei a ter uma  coleção de quinhentas revistas. O livro surgiu  na forma de livro de bolso. As aventuras dos vaqueiros do velho oeste e os detetives vieram para substituir o fascínio pelos gibis.  Daí para frente, não parei mais de ler, o livro está sempre presente, seja o livro técnico ou a literatura mais prazerosa e descontraida.
imagesnnbgrtsO livro, a curto e médio prazo não será substituído por outra mídia, quer seja o computador , a internet ou qualquer outro meio. Porém, não podemos  ficar amedrontados com novas tecnologias futuras, pois o homem é senhor do seu tempo e não será nenhuma surpresa se a geração da minha filha desenvolver o gosto pela leitura usando um  “livro eletrônico”.imagesliele
A literatura, sem dúvida , sofrerá   “mutações”, se para o bem ou para o mal, só o tempo dirá. No entanto, os grandes clássicos da literatura mundial sempre serão lidos, sob qualquer forma de mídia e isto para  mim  é o que deve ter importância.
O acesso à informações , a meu ver independe de um único veículo. A educação deve estimular o aluno, em seu período de formação , na busca prazerosa, consciente e crítica de assuntos relevantes,  de interesses formativos, técnicos e lúdicos.
images7A leitura e a escrita, estarão sempre presentes na vida do homem.  A forma em que se dará,  estará sempre ligada aos momentos de transformação social e tecnológicos pelos quais a sociedade passará. Deveremos, pois, estar preparados para receber as mudanças, seja através de novos comportamentos, seja através de novas tecnologias. O fio condutor será sempre a comunicação entre as pessoas e a sua consequente formação para que o objetivo de interação social da pessoa humana, por meio da leitura e da escrita seja atingido.imageshjfhf
CAUROSAlivres-09 Texto publica em 22/09/2009

domingo, 16 de setembro de 2012

POEMA DA TARDE


Vício
Tu nunca bates no meu pensamento à hora de entrar.
Chegas de repente, invades tudo, e é impossível te expulsar
por que então já sou eu que te procuro.
Não escolhes momento. É na hora séria ou na hora triste,
na hora romântica, ou na hora de tédio
por mais que me encontres fechado em mim mesmo
entras pelo pensamento, - clara fresta, vulnerável
às lembranças do teu desejo.
E quando chegas assim, estremeço até regiões ignoradas
me levanto, e saio, sonâmbulo, a te buscar
a caminhar a esmo ...
Chegas - como uma crise a um asmático, - e então
[preciso de ti
como preciso de ar,
e tenho a impressão de que se não te alcanço, se não
[te encontro,
vou morrer, miserável, como um transeunte nas ruas,
antes que o socorro chegue para salvá-lo ...
alcançar-te é um suplício ...
Teu amor para mim - é humilhante a confissão
-D
epois que consegues atingir meu pensamento
tua posse é uma obsessão,
não é amor, é vicio ...
(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro – Harpa Submersa – 1952)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

sábado, 8 de setembro de 2012

PENSAMENTOS MODERNOS (Do baú do Carlinhos)


imagesPFFG
Onde encontrar a palavra?
Onde a palavra ressoará?
Não aqui.
Onde o silêncio foi-lhe escasso.
Nenhum lugar abençoado
para os que evitam o olhar.
Nenhum tempo de júbilo
para os que caminham
a renegar a voz
em meio aos uivos do alarido.
imagesggg T.S Eliot.
As palavras são pequenas formas no maravilhoso caos que é o mundo; formas que focalizam e prendem ideias,  que afiam o pensamento, que conseguem aquarelas de percepção.
imagesaaaaDiane Ackerman
As palavras verdadeiras  não são agradáveis e as agradáveis não são verdadeiras.
imagesllllLao-Tsé

domingo, 2 de setembro de 2012

POEMA DA NOITE






Vacilei pelas ruas e as coisas: 
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava. 
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.


Pablo Neruda

Imagens fantásticas da semana


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