quinta-feira, 18 de março de 2010

AS CONTRADIÇÕES DO CORPO

















Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta

Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-se meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.

Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente,
Inocula-me seus patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.

O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.

Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.

Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.

Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor do meu Eu
convertido em cão servil.

Meu prazer mais refinado
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.

Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volto a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.

Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
saio a bailar com meu corpo.

(Carlos Drummond de Andrade)

C@UROSA

terça-feira, 16 de março de 2010

SEMPRE NERUDA












Abaladora foi a noite de setembro

Eu trazia na roupa
a tristeza do trem que me trazia
cruzando uma por uma as províncias:
Eu era esse ser remoto
turbado pela fumaça do carvão
da locomotiva.
Eu não era.
Tive de encarar então a vida.
Minha poesia me incomunicava
e me agregava a todos.
Naquela noite
me coube declarar a primavera.
A mim, pobre sombrio,
me fizeram desatar a vestimenta
da noite desnuda.
Tremi lendo ante duas mil orelhas desiguais meu canto.
A noite ardeu
com todo o fogo escuro
multiplicando-se na cidade,
na urgência imperiosa do contato.
Morreu a solidão aquela vez
ou nasci eu de minha solidão?
PABLO NERUDA

c@urosa














domingo, 14 de março de 2010

OS CORPOS SE ENTENDEM?

A ARTE DE AMAR

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

Manuel Bandeira


C@UROSA


sexta-feira, 12 de março de 2010

A guerra e a paz



Que caminhos podemos trilhar neste momento crucial para o destino da humanidade?Todos pregam que a paz deve imperar no coração dos homens, pregam mais do que agem. Usam discursos batidos e repetitivos para justificar a falta de ações concretas que possam de alguma forma, levar o seres humanos que habitam este pobre planeta, a encontrarem o tão sonhado caminho da paz duradoura.

Eu cá com a minha visão pessimista, acredito que este objetivo de alguns poucos, está longe de ser atingido. As guerras trazem mais lucros aos malditos exploradores da violência humana, que a paz permanente. Porém, é preciso que começemos a acreditar que um dia a paz poderá habitar o coração dos homens.



c@urosa

quinta-feira, 4 de março de 2010

A AMIZADE NUNCA MORRE
















Um amigo é sempre algo muito significativo na vida da gente. Porém, a amizade não é coisa simples, identificar o verdadeiro amigo entre as pessoas com que nos relacionamos no dia-a-dia não é coisa fácil. A relação humana nos proporciona inúmeras oportunidades de fazermos amigos.


Precisamos estar sempre de coração aberto, para sentir que o ser que se aproxima, que convive, que partilha, que está sempre disponível, verdadeiramente merece nossa amizade profunda.

Conquistar amigos é uma verdadeira arte, que envolve parceria, camaradagem, disponibilidade, dedicação, renuncia e compreensão. No entanto, um amigo conquistado é sempre uma dádiva.

C@UROSA

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pensem...


A rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinícius de Moraes


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

TROVA DO AMOR



O amor se escreve com um olhar.

Se há réplica no olhar,


o amor acaba de chegar.

E na relação amorosa,

o amor germinará.

CAUROSA

  Imagem fantástica na rede 💕caurosa