sexta-feira, 23 de julho de 2010

O POETA DO PANTANAL



Soberania

Manoel de Barros



Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.


Texto extraído do livro (caixinha) "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Editora Planeta - São Paulo, 2008, tomo X, com iluminuras de Martha Barros.



C@urosa

quinta-feira, 22 de julho de 2010

AMIGOS PARA SEMPRE

Clique em mim!


Você conhece o relacionamento entre seus dois olhos?
Eles piscam juntos, eles se movem juntos, eles choram juntos, eles vêem coisas juntos e eles dormem juntos, embora eles nunca vejam um ao outro...
A amizade deveria ser exatamente assim!

Essa é a melhor... rssrss

[]

terça-feira, 20 de julho de 2010

RAPIDINHA...














"Enquanto, lá, os alemães tem um polvo que sabe de tudo, os
brasileiros, aqui, têm um Lula que nunca sabe de nada."


C@urosa

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Palavras...

imagesPFFG

Onde encontrar a palavra?

Onde a palavra ressoará?

Não aqui.

Onde o silêncio foi-lhe escasso.

Nenhum lugar abençoado

para os que evitam o olhar.

Nenhum tempo de júbilo

para os que caminham

a renegar a voz

em meio aos uivos do alarido.

imagesggg T.S Eliot.

C@urosa

terça-feira, 13 de julho de 2010

MPB DE LUTO

A música brasileira está mais triste, o grande Paulo Moura nos deixou. Que fique na nossa lembrança os seus grandes momentos de genialidade musical. Descanse em paz o grande músico.











C@urosa

quinta-feira, 8 de julho de 2010

UM POUCO DE HUMOR





O BÊBADO E A PROCISSÃO !!!

Essa é boa mas tem que imaginar a cena !!!

O sujeito está no maior porre na porta de um boteco e, de repente, aparece uma procissão.

Centenas de pessoas reunidas, carregando uma santa num andor toda decorada em verde e rosa.

O cachaceiro berra:
- Olha a Mangueira aí, geeeente!!!

Enfezado, o padre se vira pro bêbado e esbraveja:
- Que falta de respeito, seu excomungado! Fique aí com o seu vício e nos deixe em paz com a nossa fé!

Mal o padre acabou de falar, a santa bate com a cabeça no galho de uma mangueira, cai e se espatifa no chão.

E o bêbado:
- Eu avisei... Mas, o padre é estressadinho!!!

C@urosa

segunda-feira, 5 de julho de 2010

FUTEBOL, POESIA E O MESTRE DRUMMOND



Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entraçados.
Instantes lúdicos: flutua
O jogador, gravado no ar
- afinal, o corpo trinufante
da triste lei da gravidade.

In Poesia errante


C@urosa

  Imagem fantástica na rede 💕caurosa