quarta-feira, 1 de julho de 2015

POEMA DA NOITE




As Ruas
No tempo
em que havia ruas,
ao fim da tarde
minha mãe nos convocava:
era a hora do regresso.
E a rua entrava
conosco em casa.
Tanto o Tempo
morava em nós
que dispensávamos futuro.
Recolhida em meu quarto,
a cidade adormecia
no mesmo embalo da nossa mãe.
À entrada da cama
eu sacudia a areia dos sonhos
e despertava vidas além.
Entre casa e mundo
nenhuma porta cabia:
que fechadura encerra
os dois lados do infinito?

Mia Couto
In "Tradutor de chuvas", Ed. Caminho.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

VIVER...








Viver é dar sentido, 

ser feliz, 

ensinar...


amar.



C@rlos rosa.
                                                                                                               Maio de 2015

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A montanha mágica




Passa devagar o tempo  na montanha.
O encantamento lá, flui intensamente.
O ar de outono gostoso, frio e suave
penetra mansamente na nossa pele.
Lá, as almas encontram a paz e a harmonia,
impossíveis em outro lugar.

Passa devagar a vida na montanha.
A felicidade, privilégio de poucos,
pode-se ainda ser vivida em sublimes momentos.
Lá, dois corações se encontram e teimam em se amar,
ao som harmonioso e alegre da floresta.

Passa devagar o tempo, a vida na montanha.
Deus caminhou por lá e com sua eterna bondade
espalhou com perfeição, para a eternidade,
a magia sublime da natureza viva!


C@rlos rosa.

Abril de 2015

sexta-feira, 10 de abril de 2015




Num fundo multicor,
vejo as cores...
cores de amor.
Num fundo multicor,
vejo as  cores...
flores de amor.
 c@rlos rosa 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Os teus pés




Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Pablo Neruda

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pétalas





As borboletas voam sobre o meu jardim

São cores vivas, pousam sobre as "onze horas"
Nas rosas claras, violetas e jasmins
Um beija-flor traindo a rosa amarela
Beijou a bela margarida infiel
Papoula e dália estão cravadas de ciúmes
E o beija-flor beijando flores a granel
Pétalas, asas amarelas

Pétalas, espinho seco
Folha, flor, lagarta
Pétalas

As flores voam e voltam na outra estação
Só serei flor quando tu flores no verão

Alceu Valença/Herbert Azul



  Imagem fantástica na rede 💕caurosa