quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Poema da tarde





A namorada

Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela. 
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia. 
No tempo do onça era assim.


Manoel de Barros

domingo, 20 de janeiro de 2013

Mané e o sonho




Carlos Drummond de Andrade



A necessidade brasileira de esquecer os problemas agudos do país, difíceis de encarar, ou pelo menos de suavizá-los com uma cota de despreocupação e alegria, fez com que o futebol se tornasse a felicidade do povo. Pobres e ricos param de pensar para se encantar com ele. E os grandes jogadores convertem-se numa espécie de irmãos da gente, que detestamos ou amamos na medida em que nos frustram ou nos proporcionam o prazer de um espetáculo de 90 minutos, prolongado indefinidamente nas conversas e mesmo na solidão da lembrança.

Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entanto alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, despreparado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguiria vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.

Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconsequente, com uma inocência que não excluía espertezas instintivas de Macunaíma — nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir um povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia. A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida (se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto) consistia no papo de botequim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prazer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.

Não sou dos que acusam dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral, de ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar o fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, de estrela na testa, como Pelé.

A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe de autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir a quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que prevêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória — que não acontece.

Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.

*Crônica publicada em 22 de janeiro de 1983, no Jornal do Brasil


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

SAUDADE




Saudade do Rei Mané...



Saudade do velho Maraca...


Saudade dos dribles infernais...




Saudade  do futebol de verdade...saudade!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Rubem Braga - 100 anos







Rubem Braga (Cachoeiro de Itapemirim12 de janeiro de 1913 — Rio de Janeiro19 de dezembro de 1990) foi um escritor lembrado como um dos melhores cronistas brasileiros.[1]
Iniciou-se no jornalismo profissional ainda estudante, aos 15 anos, no Correio do Sul, de Cachoeiro de Itapemirim, fazendo reportagens e assinando crônicas diárias no jornal Diário da Tarde. Formou-se bacharel pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1932, mas não exerceu a profissão. Neste mesmo ano, cobriu a Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo, na qual chega a ser preso. Transferindo-se para Recife, dirigiu a página de crônicas policiais no Diário de Pernambuco. Nesta cidade, fundou o periódico Folha do Povo. Em 1936 lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, e fundou em São Paulo a revista Problemas, além de outras. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou como correspondente de guerra junto à F.E.B. (Força Expedicionária Brasileira).
desempenhou função diplomática em Rabat, a capital do Marrocos, atuando também como correspon­dente de jornais brasileiros. Após seu regresso, exerceu o jornalismo em várias cidades do país, fixando domicílio no Rio de Janeiro, onde escreveu crônicas e críticas literárias para o Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão. Sua vida como jornalista registra a colaboração em inúmeros perió­dicos, além da participação em várias antologias, entre elas a Antologia dos Poetas Contemporâneos.

Retrato do Time - Rubem Braga
No primeiro plano vê-se a linha intrépida
Em posição de repouso vigilante
Ajoelhada sobre o joelho esquerdo,
Prestes a erguer-se
Uma vez batida a chapa
E atacar com ímpeto.

A defesa está atrás, de pé pelo Brasil.
Esse de gorro era nosso melhor elemento
Lembro que nesse jogo Nico foi expulso de campo.
Injustamente pelo juiz.
Porém não antes de marcar seu "goal".
Esse mais gordo chamava Roberto Vaca-Brava.
Nosso "center-half", homem aliás capaz
De jogar em qualquer posição... Quer ver? Me lembro:

Joca, Liberato e Zico,
Tião, Roberto e Sossego,
Baiano, eu, Coriolano, Antonico e Fuad.

Era um onze imortal
Como aliás se nota nessa fotografia
Nessa chuvosa tarde antigamente heróica eternamente
Em que empatamos porém foi nossa a vitória moral.

E olhando o retrato
Olho especialmente o meu:
Um rapazinho feio, de ar doce e violento
Sobre o qual disse o jornal:
"O valoroso meia-direita."
E com toda razão, modéstia à parte.
Esse alto, nosso "keeper" Joca Desidério
Quando a linha fechava ele gritava para os "backs" —
Sai tudo, sai da frente — e avançava na linha.

E chorava de raiva quando a bola entrava.
Mais tarde, por causa de um italiano, ele se fez assassino
Mas com toda razão, segundo me contaram.

Alviverde camisa do Esperança
do Sul Foot-Ball Club, conhecido
Como os capetas verdes — somos nós!

Nós todos envergando essas cores sagradas
E no coração dentro do peito cada um tem uma
[namorada na bancada,
Cada um menos um.
Era Fuad, que não interessava a ninguém,
E morreu tuberculoso sacrificado de tanto correr na
[extrema
É esse aqui, de nariz grande, esse turquinho feio.
fonte: Wikipépia site poesias

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Elvis não morreu?



Presley, imortal e eterno!
Nesta terça-feira (8), Elvis Presley completaria 78 anos. Nascido em 8 de janeiro de 1935, Elvis Aaron foi o único sobrevivente de dois filhos gêmeos do casal Vernon Elvis Presley e Gladys Love Smith Presley, nascido na cidade East Tupelo no estado do Mississippi.
Na época de seu nascimento, os Estados Unidos viviam uma série de conflitos raciais, e o Mississippi era considerado o epicentro das confusões entre negros e brancos. Em 1936, um furacão devastou a cidade e pessoas de todas as raças se uniram para reconstruir a região.
Em meio à pobreza e dificuldades da vida de Elvis, seu pai foi preso quando ele tinha apenas dois anos, por estelionato. Sua família foi despejada e Gladys e Elvis foram morar com os pais de Vermon.
Desde pequeno frequentou os cultos da Assembleia de Deus, o que influenciou em sua formação musical. O resultado começou a aparecer quando Elvis tinha 10 anos e ficou em segundo lugar de um concurso de novos talentos. Aos 11 anos ganhou um violão, que se tornou seu "parceiro" durante todo o dia - inclusive enquanto estava na escola.
Em 1948, a família Presley se mudou para o Tennessee em busca de melhores condições de vida e foi lá que Elvis trabalhou como lanterninha de cinema e motorista de caminhão. Tamanho esforço valeu a pena e ele conseguiu se formar em 1953, mesmo ano em que pagou US$ 4 para gravar de presente para sua mãe duas músicas: My Happiness e That's When Your Heartaches Begin.

Sucesso
Sua carreira profissional começou em julho de 1954, ano considerado o "marco zero" do rock 'n' roll, quando decidiu entrar em estúdio para gravar algumas faixas - foi nessa época que That's All Right, Mama encantou o dono da Sun Records. Dias depois, e após algumas gravações, duas músicas de Elvis começaram a tocar nas rádios de Memphis e se tornaram sucesso imediato. Dez dias depois fez seu primeiro show na cidade.
Não demorou muito e Elvis emendou diversos programas de rádios, aparições em programas de TV e, consequentemente, veio o sucesso. Mystery Trai chegou em 11ª colocação na parada da Billboard, Baby, Let's Play House chega ao 5º lugar e I Forgot To Remember To Forget chegou, finalmente, ao topo da parada.
Em 1956 não tinha mais jeito: Elvis Presley havia se tornado um fenômeno, com um estilo que misturava os mais diversos tipos de influência musical e suas apresentações sensuais e empolgantes, que quebravam os pré-conceitos de uma sociedade norte-americana preconceituosa e conservadora.
Auge
Em 1969, após oito anos, Elvis retornou aos palcos e manteve o ritmo de shows - e o sucesso de público e crítica - até 1977. Durante esse período, chegou ao cume de sua carreira, com mais de mil show realizados, uma performance mais madura e com muitas gravações produtivas, como Suspicious Minds e In The Ghetto.
Na década de 70 fez shows com recorde de público, lançou um documentário de sucesso, foi recebido na Casa Branca pelo então presidente Richard Nixon, voltou ao topo das paradas musicais de todo o mundo e recebeu diversos prêmios, incluindo seu segundo Grammy.
Já solteiro, em 1972, após o casamento com Prisicila Presley, conheceu a Miss Tennessee Linda Thompson. O romance deu um ânimo à vida e carreira de Elvis - que considerava o divórcio com Priscilla o segundo maior "baque" após a morte de sua mãe. Em 1974, começou a dar sinais de cansaço e sofria com os problemas de saúde.
Apesar da vontade de diminuir o ritmo, Elvis fez turnês muito intensas em 1975 - e chegou a ser hospitalizado duas vezes. Em 1976 se separou de Linda e há duas versões para o rompimento: uma é que Elvis não teria gostado de fotos que ela fez dentro de sua mansão e vendido para uma revista; a segunda é que Linda não aguentava o ritmo frenético da vida de Elvis e seu vício em remédios de venda controlada.
Pouco depois conheceu Ginger Alden, com quem namorou até o dia de sua morte. Em 1977, mais magro (muitos apostavam que o motivo seria o novo relacionamento), Elvis realizou shows regularmente, apesar dos problemas de saúde. No dia 26 de junho daquele ano, ele fez o último show de sua carreira, em Indianápolis, antes de tirar alguns dias para descansar, enquanto preparar sua próxima turnê, que começaria no dia 18 de agosto.

A morte
Sempre trocando o dia pela noite, Elvis Presley foi ao dentista às 23h do dia 15 de agosto. Voltou realizou algumas atividades em sua mansão, antes de se deitar por volta das 4h. Na época, Ginger Alden contou que ele se levantou às 10h para ir ao banheiro e lá ficou até às 14h, quando ela o encontrou caído no chão.
Ela pediu ajuda, mas era tarde demais. Mesmo assim, uma ambulância foi chamada ao local, na tentativa de ressuscitá-lo. A filha Lisa, na época com nove anos, ficou em estado de choque com toda a cena e telefonou para a ex-namorada de Elvis, Linda Thompson. "Ela repetia sem parar: 'meu pai morreu, meu pai morreu!'", contou ela em diversas entrevistas, sempre emocionada.
Às 15h30 Elvis foi declarado oficialmente morto. O motivo teria sido um colapso fulminante, decorrente de um problema cardíaco - a necrópsia também apontou a ingestão de oito ou mais drogas (incluindo morfina). A notícia causou comoção mundial e, nos Estados Unidos, muitos transtornos, como linhas telefônicas congestionadas, estoque de flores esgotado em todo o país e caos nos aeroportos, com voos lotados vindos de todos os Estados.
fonte(terra online)

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