quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Poema da tarde





A namorada

Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela. 
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia. 
No tempo do onça era assim.


Manoel de Barros

9 comentários:

  1. Mas a conquista tinha um gostinho especial, no tempo do onça.
    Abração amigo.

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  2. No tempo da onça era assim, e que romântico isso!!!
    Linda escolha meu amigo.
    Abraços.

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  3. Olá, carlos!

    A comunicação era difícil,mas muita era a imaginação - a não ser quando a pedra ficava a meio caminho...

    Abraço amigo; bom fim de semana.

    Vitor

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  4. Sou suspeita pra falar de Manoel de Barros. Totalmente apaixonada por sua poesia. Que bom que voltei a comentar exatamente nesse post, me permitiu reler esse poeta extraordinário. Um beijo e obrigada por não esquecer o Solidão de Alma.

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  5. Fascinante! Poesia, pura poesia... Abraço

    PS: E o Botafogo? Este ano parece que vai, o que estraga é o técnico que não sabe nada de futebol.

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  6. Isso lembra muito Romeu cortejando Julieta em seu quintal... Muito bom, gostei do blog! Cantinho poético e aconchegante! E não falarei mau do Botafogo...

    Abraço!

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Meus amigos e amigas sejam sempre bem vindos, eu agradeço aos gentis e inteligentes comentários no meu humilde espaço de reflexão, expressão e comunicação. Espero o seu retorno. Um forte abraço.

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